Caderno Galego | Um longo tempo nos pulos do mar

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Caderno Galego | Um longo tempo nos pulos do mar

Um barco ao longe vem lembrar aquele fogo de juventude, uma pedra parecida, mas a carta é breve. Só queremos a letra de uma boca marinheira, universidade de sal a sal, sabes? Ter os nomes novos desta terra começada, golpes de luz e imaginações daqui. Esse vocabulário dos trabalhos locais, o tempo e maneira da fala, os braços fortes desta gente do mar, tão enfolada em durezas que a gente não entende, cordames de fainas e instrumentos antigos. Eu só gostava que viesses aqui ver o mar. Baloiçar devagarinho aquelas cantigas antigas que repetíamos na escola, cadernos novos para estrear um tão velho refrão, leda m’ando eu, leda m’ando eu, invencível jangada nas travessias do amor. Emocionam com força esses poemas de que sabemos certas magias e melodias inventadas, mas só isso basta. Queremos assim cada sonho, o passinho litoral que trazemos de longe e queremos encontrar aqui, porque a terra é sempre generosa, e só nos permitimos sonhar com toda a força. E o meu passinho vem daquela terra de pescadores que se chama Peniche, vila de naufrágios, peixe bom e onda surfista, onde de miúdo começava a saber aquelas cantigas que diziam de umas aves que de todo o amor cantavam, língua tão de cantar, modinha certa, toada tão serena connosco essa poesia galego-portuguesa que era barco no longe, esses barquinhos de no longe passarem.
Source: Palavra comum

2019-10-01T07:13:50+00:00 01 / 10 / 2019|Palavra Comum|